At o fim do sculo o mundo vai assistir ao fenmeno da "desmetropolizao", ou seja, a tendncia desta dcada ser a desconcentrao populacional das metrpoles. Em alguns casos, espera-se crescimento negativo nas grandes cidades.

Uma das razes para a guinada na expectativa de crescimento, na opinio de Elza Berqu, diretora do Nepo (Ncleo de Estudos de Populao da Unicamp),  a busca macia, por parte dos habitantes dos grandes centros urbanos, de uma qualidade de vida melhor da que oferecem as metrpoles.

Segundo Berqu, haver a fixao das pessoas em cidades medianas que se transformaro em plos de referncia, menores e com menos problemas que as megacidades.

Algo parecido com o que est acontecendo em Campinas e Ribeiro Preto, no interior de So Paulo, que oferecem vida cultural e infra-estrutura de servios parecida com a das grandes cidades, sem, no entanto, estarem saturadas.

Essa mudana na concentrao populacional estar ocorrendo ao mesmo tempo em que outra tendncia for se cristalizando: uma distribuio de renda mais harmnica e mais equitativa.

"O sonho de que as solues para todos os problemas esto nos grandes centros est no fim. E isso  uma boa notcia. Deve-se comemorar", diz Berqu.

Nmeros do Seade (Sistema Estadual de Anlises de Dados) mostram que a cidade de So Paulo, por exemplo, cresce menos a cada dcada.

Nos anos 60/70, tinha sua populao aumentada anualmente na razo de 4,92%. Nos anos 70/80, o crescimento diminuiu e foi para 3,67%. De 1980 a 1991, o crescimento anual chegou a 1,15%. At o ano 2000 no deve sair desse patamar percentual.

De acordo com dados do Nepo, a taxa atual de fecundidade no Brasil  de 2,5 filhos por mulher. Em 1980, era de 4,5 filhos por mulher.

At na regio Nordeste, onde essa taxa chegou, em 1980, a seis filhos por mulher, atualmente j baixou para 3,7.

Hoje vivem no Brasil 152 milhes de pessoas. Em 2000, sero 179 milhes de brasileiros.

Com exceo dos pases africanos, a taxa de fecundidade no mundo est diminuindo, com forte tendncia de estabilizao ou crescimento populacional negativo.

Na frica, a mdia de fecundidade ainda  de seis filhos por mulher.

No caso especfico do Brasil, a expectativa dos cientistas  que a partir de 2020 o pas v ter seu crescimento populacional estabilizado e, por volta de 2050, essa taxa chegar a zero. Isso significa que o nmero de mortes vai se igualar ao de nascimentos.

A desacelerao populacional no Brasil poderia at ser mais rpida, "no fosse o alto contingente de mulheres que ainda est se reproduzindo", segundo Elza Berqu.

Se o excesso de populao  um problema, a imploso demogrfica tambm. Hungria, Alemanha e Itlia, entre outros pases, enfrentam crescimento populacional negativo e envelhecimento de suas populaes.

Ou seja, em breve tero que "importar" gente para suprir as atividades mais corriqueiras. Na Itlia, por exemplo, o nmero de bitos  maior que o de nascimentos.

Na Frana, a mdia de fecundidade  de 1,3 filho por mulher. Para efeito de comparao, em So Paulo, segundo a demgrafa Bernadete Waldvogel, do Seade, a mdia  de 2,2 filhos por mulher. Na dcada de 80, cada brasileira tinha 3,4 filhos. Na de 70, 4,2. "Em cada dcada est diminuindo um filho", resume Waldvogel.

Sem levar em conta essa tendncia de queda apontada pelo Seade e Nepo, um relatrio produzido pela ONU (Organizao das Naes Unidas) projeta que em 2010 a cidade de So Paulo ser a segunda maior do mundo, perdendo apenas para Tquio e na frente de Bombaim, Xangai, Lagos, Cidade do Mxico, Beijing, Dacar, Nova York e Jacarta, nessa ordem.

O relatrio da ONU mostra uma So Paulo catica no ano 2000, com 25 milhes de habitantes. Estudos do Seade projetam uma cidade parecida com o que  hoje, com 10,7 milhes de habitantes.

No segundo semestre deste ano, no Cairo (no Egito), acontece uma conferncia internacional sobre crescimento populacional.
